segunda-feira, 18 de maio de 2009

Confissão de uma Mulher


CONFISSAO DE UMA MULHER
Diana estava sentada numa cadeira, pernas encolhidas, braços a volta das pernas e cara encostada nos joelhos.
Paulo entrou, fechou a porta atrás dele e sentou-se à mesa.
Olá!... - disse ela, numa voz tão baixa que mais parecia sair do quarto ao lado, e com o olhar vazio e abstracto sem se fixar em nada.
Tens frio?... - perguntou ele, pondo seu casaco sobre os ombros dela.
Mesmo que ela tivesse dito que não, para ele isso não importava, pois era apenas uma desculpa para a necessidade de lhe tocar e sentir aquele corpo que tanto amava. Ao colocar-lhe o casaco as mãos roçaram o rosto dela e um estranho sentimento se apoderou dele. Sentimento de dor profunda mesclada de desilusão por nunca ter acreditado que aquela mulher em frente dele pudesse ter feito o que tinha feito.
Porquê?.... - Perguntou ele com voz dolorosa.
Diana com o olhar perdido na distância, respondeu:
- Não sei!... As memórias misturam-se na minha cabeça, não consigo acreditar que tenha sido eu a fazê-lo. Estava sozinha e triste; ouvia as minhas amigas a falarem de ‘affairs’ que desejavam que tivessem acontecido com este ou aquele homem e de estarem arrependidas por não terem tido o tal ‘affair’, e eu pensei para mim mesma: - Parvas, porque é que não se deixaram ir?!... Se tal coisa acontecesse comigo, eu não perderia a oportunidade. E, eis, que de repente vindo do nada ele apareceu e como uma espécie de insanidade, a paixão e a alegria apoderaram-se de mim. Amor!!! Sentimento de que as pessoas falam, mas ninguém consegue explicar. Terá sido isso? Hoje, penso que foi apenas a solidão em que vivia que me levou a acreditar nas palavras dele quando me disse; - Nunca ninguém me fez sentir da maneira que tu o fazes, nunca amei ninguém da maneira como que te amo a ti, nem a mulher com quem casei me faz sentir deste modo.
- Hoje, pensando no que aconteceu, pergunto a mim mesma como consegui ser tão néscia para acreditar nele e fazer o que fiz. As coisas que lhe prometi para quando estivéssemos juntos; o meu corpo lhe ofereci sem reticencias, amor louco e paixão prometemos um ao outro para quando nos encontrássemos. Sim, agora sei que era tudo mentira, ele estava a servisse de mim para dar vazão aos seus desejos libidinosos. Coitada de mim! O meu casamento, -pensei-, estava acabado porque pensava que nunca tinha amado o homem com quem me casei. Por isso, eu estava vulnerável e a solidão oprimia-me, mediante isso, quis acreditar, e fui ter com ele.
- Quando nos encontrámos mil promessas de amor trocámos. Mas pouco mais tarde pude ler no rosto dele a desilusão e o desencanto ao olhar para mim, olhar esse, que me fez sentir indigna e suja. Sim, suja, mas apenas ‘suja na alma’ por estar a enganar o meu marido desta maneira.
- Nessa mesma noite, quando finalmente consegui sair de casa para ir ter com ele, depois de todos estarem a dormir, quando ele me agarrou e beijou, senti que não havia amor, apenas desejo lascivo.
- Por isso, Paulo, continuo afirmando que não houve nada. Mas bem dentro de mim o sentimento de culpa acompanha-me todas as vezes que olho para ti. A memória daquela noite não me abandona.

Embrenhada em si mesma, pensava: - e se eu contasse ao Paulo o que na realidade aconteceu naquela noite de loucura? - Não! Nunca terei coragem para contar-lhe, sei como ele sofreria com a nossa separação porque será isso que acontecerá se eu lhe contar a verdade. Sei que a única coisa que ele nunca perdoará será o facto de eu ter feito amor com outro homem.

Paulo olhando para ela pensava... - O que será que te levou a fazer isto?...Se eu não tivesse descoberto, o caso continuaria sabe-se lá por quanto mais tempo.
Ela, parecendo adivinhar os pensamentos dele, olha-o e diz-lhe:
- Não! Não me peças explicações para o que aconteceu, simplesmente, aconteceu. Não me sinto culpada e estou a tentar esquece-lo!
Calou-se e pensou na mentira que estava dizendo porque não o esquecia nem queria esquecer, embora pensasse nisso. Até nos momentos mais íntimos, quando estava com Paulo não conseguia impedir que o rosto do outro aparecesse em sua mente. Não podia esquecer o facto de que secretamente ainda mantinha contacto com ele, não se cansando de ouvir as canções que tinham dedicado um ao outro e de continuar a escrever poemas para ele. Agora, acima de tudo, desejava manter a ilusão da existência de um amor puro e altruísta, desejava continuar um sonho.

Por seu lado, Paulo sofria dolorosamente com os pensamentos e as perguntas que se lhe colocavam: - ‘Será que ela não vê a cegueira desta loucura? Será que não quer ver que se está a tornar obsessiva? - O rosto dela quando escuta a mesma canção três ou quarto vezes seguidas é como um espelho do que lhe vai na alma. Sinto essa verdade nos dias que nem sorri, e nos dias quando toda ela é alegria -- porque falou com ele.
- Pergunto a mim mesmo por quanto mais tempo poderá esta situação continuar, se……..

By V.G.

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